Poupe-me das futilidades, da falta de assunto, das mesmas histórias. Poupe-me de ter que ouvir seus casos sobre pais adotivos que cuidam de você quando resolve se drogar. Poupe-me de ver sua reação quando "a onda volta" ao ouvir a primeira batida eletrônica da festa. Poupe-me dos gritos e dos escândalos. E também das dancinhas esquisitas. Poupe meus ouvidos e não me puxe mais pra perto das caixas de som. Poupe-me do "freak show". Poupe-me de ver você se acabar. Poupe-me de ver sua decadência...
Lembro da primeira impressão... "fútil, sem neurônios, não dura muito tempo nessa vida... ar antipático... não vou nem me dar ao trabalho de dirigir a palavra"... estava completamente errada... você se mostrou uma pessoa completamente diferente... me fez sentir vergonha do primeiro julgamento. Era puro preconceito. Aprendi que, apesar de todas as diferenças, podíamos nos dar muito bem. E foi aí que tudo começou a mudar...
No começo foi legal. Ver a evolução, a liberdade chegando. Você se soltou. Parecia mais feliz. Aprendendo a viver, sem se preocupar demais com a opinião dos outros. E as coisas chegaram a um ponto onde tudo era exagerado. Me assustava. Correndo o risco de passar uma imagem intransigente, confesso que não aceitei o exagero. As mudanças, sim... mas não da forma como aconteciam. Aos poucos, virava um monstro. Passava a ser exatamente aquilo que me impediu de falar com você quando nos vimos pela primeira vez... e é por isso que peço, encarecidamente, que me poupe. E também à nossa antiga amizade.
Poupe-me de ter de conviver com você. Poupe-me de ter de assistir você cair. Poupe-me de te ver fritar.
Poupe-me do monstro que virou.
Poupe-me de você...