Hoje descobri que não sei amar... não sei se algum dia vou aprender... passei a semana pensando nele... aliás, há tempos só penso nele...penso e fico triste... alguns amigos dizem que eu tenho que tomar a iniciativa... que está nas minhas mãos...
Essa semana passei por momentos muito ruins... não consegui olhar dentro dos olhos dele... tinha medo... medo de que ele pudesse ler meus pensamentos... entender o que estou passando... estive ao seu lado algumas vezes... vez por outra ele me tocava... não consigo fazer o mesmo... nunca sei se meus gestos de carinho serão bem vindos... tenho medo de deixar ele me amar...
"O amor te escapa entre os dedos"... cada vez mais sinto que isso acontece comigo... não sei o que ele pensa... muito menos o que ele sente... quero tomar uma atitude... não consigo... não sei andar por territórios desconhecidos e escuros... não estou acostumada a isso... não tenho medo dos obstáculos... muito menos dos tombos... já estou acostumada... mas queria pelo menos um fósforo... pra me ajudar a iluminar o caminho...
Talvez o caminho seja a luz... talvez, ao dar o primeiro passo, todas as luzes se acendam... ou talvez a lua apareça, como na quinta feira... talvez eu deixe alguém me amar... para aprender a amar... talvez, não exista um jeito certo de amar... e amar seja o jeito...
Tá... eu sei que tô há muito tempo sem dar as caras por aqui... mas tudo bem... ninguém reclamou da falta de posts novos... eu sei também que isso não quer dizer nada... de repente a pessoa tinha seus motivos pra não deixar uma reclamação... beleza...
Mas então... passei aqui só pra justificar a falta de posts novos... tô enrolada pra caraca com provas... muitas... uma em cima da outra... sem tempo pra escrever textos novos... apesar de não me faltarem idéias... essas, acho que nunca vão faltar... não sei... não posso afirmar... mas o pior de tudo, são meus problemas com o guri da Rural... as paradas tão muito enroladas... eu não sei o que fazer... acho que ninguém consegue entender também o que acontece... sei lá... muitas coisas... passei a sexta cantarolando uma música... ontem entendi que aquilo mais parecia um truque do meu subconsciente... qualquer dia coloco a letra dela aqui...
É isso... quem sabe semana que vem eu não ponho um texto novo?
Oito e meia da manhã. Sob o sol escaldante, a caminhada se tornava cada vez mais penosa. Nem as árvores, que filtravam a luz e conferiam um ar místico ao ambiente, ajudavam a amezinar as altas tamperaturas. Mas sabia que não era hora de parar. Não podia e não devia parar. Tinha que chegar. Não se entregaria sem lutar. Após breves momentos de descanso, com ânimo e fôlego renovados, seguiu seu caminho.
Às dez e dezessete viu que todo o esforço anterior tinha realmente valido à pena. Estava diante de um dos mais belos cenários que já tinha visto em sua vida senão o mais belo. Apenas por isso, sentiu-se recompensado. Seu estômago, porém exigia outro tipo de prêmio. Dirigiu-se, então, à casa. A construção rústica, feita com madeira das árvores derrubadas para cederem lugar à casa. se integrava totalmente ao ambiente.
Chegou à varanda. Tantas recordações, momentos agradáveis passados ali. Memórias que agora lhe atormentavam. Tocou a maçaneta. Não tinha certeza de que queria fazer isso. Por alguns segundos, hesitou. Por fim, entrou. Estava tudo lá, como se recordava. A única diferença era a camada de poeira, que se acumulava sobre todos os objetos. Noutros tempos, a casa, cheia de vida, não permitia que as coisas ficassem naquele estado.
Estava ali, de pé. Na mesma sala de sempre. O refúgio. Era pra lá que eles corriam quando algo não parecia bem. Bastava um dia, talvez dois... e tudo voltava aos conformes. Correu o ambiente com o olhar. Fixou-os no grande painel de vidro, na parede à sua frente, de onde era possível ver o mar lá embaixo. Outra varanda se estendia à frente deste painel. Se dirigiu até lá. Uma lufada de ar o surpreendeu. Sentiu-se triste. Voltou para dentro da casa. Foi para o quarto. Todas as roupas ainda estavam lá. Intocadas. Deixou as chaves sobre a cama. Abriu a primeira gaveta do criado mudo. Achou cartas nunca enviadas. Anos depois de escrevê-las, descobriu que poderia ter sido completamente feliz antes do que imaginava. Agora, era tarde.
Sentiu fome. Lembrou que, desde que chegara, não tinha comido nada. Foi à cozinha, preparou alguns sanduíches. Saiu. Sentou na grama. Tudo ali lhe trazia recordações. A casa, o mar, a floresta. Para onde quer que se virasse, era surpreendido por lembranças. E em todas, lá estava ela. Ainda esperava poder vê-la saindo do meio das árvores, feliz, trazendo vida de volta à casa. Tentou comer os sanduíches, mas o nó na garganta impedia que a comida passasse.
Voltou para a casa, guardou os sanduíches na geladeira. "Quem sabe outra hora", pensou. Tornou a sair. Desta vez, para a varanda voltada para o mar. Armou a rede que pegou na sala. Lembrou-se dos tempos em que ficavam juntos, ali, naquela mesma rede. Chorou. Não soube aproveitar aqueles momentos, que agora lhe pareciam tão preciosos. Pensando nestes momentos, adormeceu.
Quando acordou, a lua já estava no céu, cheia. Seu brilho se refletia no mar, fazendo a água prateada. Há tempos não se permitia apreciar uma noite como aquela. Levantou-se e se aproximou do penhasco. Se deteve ali por alguns instantes, pensando na vida. Desde que ela se fora, tudo lhe parecia cinza, sem sentido. Mas finalmente tomara uma decisão. Abandonou sua vida. Resolveu viver recluso, naquela casa, no meio da floresta.
Alguns instantes depois, sentiu-se leve, quase como se flutuasse. Era capaz até de conseguir voar. Com um pulo, se lançou em direção ao oceano. Livre, sem nada que o prendesse àquela vida. Em seu derradeiro vôo, saiu em busca da amada. Enontrou-a, pois, na eternidade. E foram eternamente felizes, pois os amores, os verdadeiros, nem a mais infinita distância separa. E apenas a eternidade consolida.