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quarta-feira, fevereiro 25, 2004

Histórias mirabolantes da Sapucaí 

Só pra não perder o costume, vou deixar aqui mais 3 histórias dessas que todo mundo duvida que acontecem de verdade, mas que eu posso afirmar que são reais porque a maioria delas acontece com meus entes queridos, os quais eu sou obrigada a reconhecer como família...

Foi mais ou menos assim: domingo, primeiro dia de desfile do Grupo Especial. Graças aos gringos malditos do Queen Mary 2, a galera só arrumou ingresso pra assistir ao desfile no setor 13, que fica láááá na Praça da Apoteose... era um grupo pequeno, composto por:
* 11 cariocas
* 3 paulistas
* 1 italiano

Este grupo discreto, pouco barulhento e nada farofeiro protagonizou 3 histórias que serão lembradas em todos os carnavais da família. Só quero deixar bem claro que eu NÃO fazia parte deste grupo.

*** *** ***

Branca de Neve e os 14 anões

Tá... antes de mais nada, eu queria dizer que a Branca de Neve dessa história nunca foi branca... ela é até bem morena, como toda baiana... e os 14 anões... bem, digamos que na verdade não tinha nenhum anão de verdade... no máximo algumas pessoas mais baixinhas...

Pra quem não sabe, o setor 13 enche de quase transbordar... tem gente saindo pelo ladrão... e no domingo, não tinha porque ser diferente... acontece que tinha uma tempestade armada no céu, daquelas que, cara, se cair, alaga o mundo, sabe? Então... e a tempestade resolveu cair...

Acontece que, quando ela caiu, nosso grupo de desbravadores do Carnaval já se encontrava devidamente posicionado na arquibancada. E como todo grupo, achavam que o lugar deles era o melhor de todos... e nem sonhando eles iam sair dali pra se proteger da chuva... o que fizeram então? Compraram capas de chuva!!! Isso mesmo... mantiveram seu posto, porém todos estavam devidamente cobertos por capas de chuva (nas cores branca, rosa, azul e verde)... quer dizer, todos menos a Branca de Neve, que ostentava um gracioso guarda-chuva preto, daqueles de padre de cidade do interior...

Agora, imaginem vocês: 15 pessoas, debaixo de um temporal, guardando seus lugares... agora vem a parte ridícula da história... um dos sobreviventes contou que, uma vez vestidos com as fofoluchas capas de chuva, todos ficaram parecidos com anões! Sim, aqueles seres engraçadinhos do desenho da Disney, com chapéus cujas pontas inclinavam ligeiramente para a esquerda ou para a direita, de acordo com a preferência sexual do indivíduo.

A cena já seria ridícula se o relato parasse por aqui, mas, no melhor estilo "comercial do Polishop", ele ainda não acabou! Além de estarem debaixo de uma tempestade medonha, 13 dos anões e a Branca de Neve (pra quem não lembra, ela estava com um guarda-chuva) estavam sentados, fitando o chão, como se fossem crianças de castigo, num canto da sala de aula... e como isso não fosse o bastante, o décimo quarto anão (que está mais pra gigante do que anão, meu querido priminho) estava de pernas cruzadas, cabelos encharcados, óculos inundados, LENDO UMA REVISTA!!! Isso mesmo!!! Lendo uma revista, debaixo da chuva!!! Como se fosse a coisa mais natural do mundo, como se estivesse lendo jornal sentado em um banco de praça!!!

Caraca... o pior de tudo é que, depois que a chuva passou e as outras pessoas, que estavam abrigadas debaixo de algum canto da arquibancada, começaram a aparecer e a ocuparem seus lugares, o grupo se perguntou onde é que eles estariam e se todos tinham resolvido chegar juntos à Marquês de Sapucaí... sem comentários... =P

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O papel principal dessa segunda história coube a um mineiro que, por muita sorte ou muito azar, estava próximo ao nosso distinto grupo de guerreiros do Carnaval.

O mineiro da Portela

Segunda feira, por volta de 5 da manhã... estava minha mãe sentada, junto com o resto da trupe, na arquibancada. Um mineiro muito doido chega e começa a conversar, falar sobre as escolas de samba, dizendo que não torcia pra nenhuma, mas que não gostava da Mangueira etc e tal. Lá pelo meio da conversa, o tal mineiro começa a pedir sugestões pra trupe, pois queria sacanear os dois amigos, que de tão tortos que estavam, já tinham apagado na arquibancada. Minha mãe, pessoa bondosa como poucas, prontamente achou uma solução:
- Vai embora e larga os dois aí.

O mineiro, que apesar de bêbado, ainda tinha um resto de consciência, retrucou:
- Ah, mas aí é sacanagem demais... deixar os dois sozinhos...

Ao que minha mãe prontamente responde:
- Pô, cara... você pediu pra gente pensar numa sacanagem. Quer sacanagem maior do que essa? Num tem!

O mineiro, penalizado, acabou sossegando e, momentaneamente, desistiu de sacanear os amigos. Ficou sentado um pouco mais pro lado, cabeça baixa, soluçando. Matutando. E a Portela desfilando. E tome de Saci Pererê. E, num de repente, o mineiro desaparece. Largou os dois amigos na arquibancada. E a Portela continuava desfilando.

A escola já chegava ao fim e nada do mineiro dar as caras de novo na arquibancada. De repente, a trupe avista lá embaixo, na Marquês de Sapucaí, o mineiro! Se acabando, atrás da última ala da escola!!! Pulando, acenando, mandando acordar os dois amigos babões!!! Como raios aquele mineiro conseguiu chegar lá? Todos atônitos, tentando entender o que acabaram de ver, quando de repente, alguém apresenta a solução:
- É, é como dizem: cú de bêbado não tem dono...

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A terceira e última história se passa durante o desfile da segunda-feira. A trupe já se encontra bastante reduzida, contando apenas com três cariocas.

Ah, que bonitinho! Ele finge de morto...

Desfile da Porto da Pedra. A comissão de frente era composta por bailarinos fantasiados de cachorros. A roupa certamente não era das mais frescas, visto que era toda coberta de pelúcia e a única parte do corpo dos bailarinos que ficava à mostra era o rosto. A parada devia ser quente feito o cão, com perdão do trocadilho.

Sem dúvida, aquela foi a comissão de frente mais fofucha do desfile. Os cães pareciam ser reais. Mas, o dia estava quente, apesar das chuvas. E não deve ter sido fácil, para os integrantes da comissão, evoluir trajando aquelas roupas.

Chegando na Praça da Apoteose, a comissão fazendo a evolução, todos embasbacados:
- Ah, que gracinha! Parece até um cachorro de verdade!
- É mesmo! Olha lá! Ele tá fingindo que tá fazendo xixi!

Nessa hora, o bailarino, que fingia estar urinando na lateral da casa, também parte da comissão de frente, cai de lado e fica parado.
- Ih!!! Olha só que bonitinho!!! Agora ele tá fingindo de morto!!!

E nada do bailarino levantar. Nessa hora, surgem os bombeiros, que após um breve exame, começam a arrancar a fantasia do bailarino e carregam-no na maca, às pressas, até a ambulância. Ele não estava só fingindo de morto. Ele realmente estava quase morto, de tanto calor. Mas, pra nossa querida trupe, aquilo não era nada, só a evolução da comissão de frente.

"- Ah, que bonitinho!!! Ele tá fingindo de morto!!! Mas finge bem demais, num é?"

*** *** ***

Pra fechar com chave de ouro meu Carnaval, meu pai chega em casa hoje de manhã convidando a galera pra ir num bloco aqui de Botafogo chamado "Botafogo é um mistério: dois hospícios e um cemitério".

Fala sério... eu mereço isso?

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E se um certo ninja fizer piadinhas envolvendo os hospícios, a minha pessoa e o fato de eu estar morando no bairro certo, para o caso de um surto de loucura, ele pode se considerar um ninja aleijado. Eu aprendo a lutar só pra dar uns cascudos nele. =]

Mas mesmo assim, eu te adoro, viu, guri? =]

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