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terça-feira, agosto 19, 2003

A teoria do beijo 

Outro dia eu tava pensando na vida... e fiquei meio triste... sei lá... ultimamente as coisas vêm dando tão errado... até as minhas tentativas de mudar radicalmente fracassam... não pelo fato de ser uma mudança radical, mas sei lá... alguém certa vez me disse que não vale a pena mudar, tentar ser o que eu não sou... poxa, será que eu vou ser sempre assim? Será que eu vou ser sempre aquela pessoa que é amiga de todo mundo, que tá sempre lá pra servir de apoio, pra oferecer um abraço quando os outros precisam? Apesar de parecer legal, é um tanto quanto solitário ser assim... as pessoas só lembram de você quando têm problemas, mas não conseguem perceber que você também é humano, também tem seus problemas... é triste pensar na possibilidade de ser a "eterna amiga", estar condenada a passar o resto da vida sozinha... mas, o que é o futuro, senão um jogo de possibilidades e hipóteses?

Depois disso, comecei a considerar a hipótese de ainda não ter achado o "beijo certo"... pode não ser a melhor das idéias, mas é, de certa forma, válida... pô, eu lembro que antes de dar o meu primeiro beijo, ouvia as meninas que estudavam comigo falando que era muito bom, que sentiam isso, aquilo e mais uma penca de coisas diferentes... talvez aquilo não passasse de invenção... talvez elas quisessem parecer mais velhas e mais experientes do que realmente eram, mas isso eu nunca vou saber... anyway, meu primeiro beijo foi com um grande amigo, quase dois anos mais velho do que eu... e eu não senti nada demais! Foi só... um beijo! Talvez por ter sido o primeiro, pensei na época... mas depois vieram outros... e continuava a mesma coisa... eram só beijos... nada de tão diferente, sei lá... talvez não rolasse um sentimento recíproco... é, talvez fosse isso...

Continuando... muito tempo depois desse primeiro beijo, eu achei um guri que viria a ser meu primeiro namorado... e foi exatamente a mesma coisa... apesar de eu gostar dele... e, segundo uma guria que era amiga dos dois e na ocasião era a melhor ouvinte e conselheira sentimental de ambas as partes, o sentimento era recíproco... e eu continuava sem sentir nada... muito estranho... algum tempo depois, outro namorado, outros beijos e o mesmo problema... comecei a desconfiar que eu era o problema... será? Mas ainda não era hora de desistir...

De lá pra cá, o tempo passando, pessoas aparecendo e desaparecendo na minha vida, mais alguns beijos... e eu continuo sentindo falta dessa coisa tão especial que as pessoas (agora não só as meninas que estudavam comigo, outras pessoas também) falam... sei lá... talvez eu não tenha as terminações nervosas certas pra perceber esse tipo de coisa... talvez isso não exista, talvez seja só uma lenda... ou talvez não exista uma pessoa que vai me fazer sentir isso... ou talvez... chega! Eu podia ficar escrevendo vários e vários "talvez" aqui... mas a idéia não é essa... na verdade, eu não sei nem qual é a idéia, se é que algum dia existiu alguma...

Só sei de uma coisa... "No-Valentine's Day", temporada de caça, talvez (mais um) tudo isso não passe de um fiasco, de uma máscara, uma forma de esconder minha frustração por não ter encontrado uma pessoa que tenha "o" beijo, que seja diferente, que faça eu me sentir diferente, que goste de mim como eu sou (sonhar não custa nada), que não venha me dizer que eu sou uma ótima amiga... ou então para esconder a minha falta de ânimo, de coragem, de energia ou de qualquer outra coisa pra levantar e ir à luta, procurar esse alguém... sei que ele (ou ela, nunca se sabe) não vai cair de pára-quedas na minha frente, mas, ah, nem sei... me faltam forças pra ir atrás... acabou... sou uma fracassada... fui, finalmente, vencida pelo cansaço...

E desejo a mais sincera felicidade àqueles que ainda tem coragem e forças pra prosseguir... e que estes consigam terminar o que eu deixei pela metade...

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